Um Guia Bíblico sobre os 12 Discípulos de Jesus

A Bíblia nos ensina que os apóstolos originais de Jesus foram Pedro, Tiago, João, André, Filipe, Judas Iscariotes, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Bartolomeu, Judas Tadeu e Simão, o Zelote. Entre eles, alguns eram pescadores no momento em que foram chamados, como Pedro, Tiago, João e André.
Foi nesse período que Jesus subiu ao monte para orar, e passou toda a noite em oração a Deus. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze deles, aos quais também deu o nome de apóstolos. (Lucas 6:12-13)
Doze homens atenderam ao chamado para se tornarem discípulos de Jesus. Eles eram judeus, homens simples e sem instrução formal, pessoas comuns de fé, que deixaram tudo para seguir a Cristo. Jesus passou três anos preparando esses homens para serem líderes. Seu plano era que, depois, os discípulos dessem continuidade à obra que Ele havia iniciado.
O que sabemos com certeza sobre Jesus é que Ele escolheu homens comuns e sem sofisticação para serem seus apóstolos. Eram pessoas do povo, vindas de regiões rurais, agricultores e pescadores. Cristo deliberadamente ignorou os homens de prestígio, da elite ou da alta sociedade, e escolheu em sua maioria os que estavam à margem. É assim que funciona o Reino de Deus: Ele exalta os humildes e abate os orgulhosos.
Os Nomes dos 12 Discípulos
Encontramos os nomes dos discípulos nos Evangelhos de Mateus 10:2-4, Marcos 3:14-19 e Lucas 6:13-16.
“Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi.” (João 15:16)
E os nomes dos doze apóstolos são:
- O primeiro, Simão, chamado Pedro, e
- André, seu irmão;
- Tiago, filho de Zebedeu, e
- João, seu irmão;
- Filipe e
- Bartolomeu (Natanael);
- Tomé e
- Mateus, o cobrador de impostos;
- Tiago, filho de Alfeu (Tiago, o Menor), e
- Tadeu (Judas, filho de Tiago);
- Simão, o Zelote, e
- Judas Iscariotes, aquele que o traiu. (Mateus 10:2-4)
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Agora que conhecemos seus nomes, vamos examinar mais de perto a história de vida de cada discípulo.
Embora fossem diferentes entre si, os discípulos se tornaram conhecidos por sua fé inabalável quando a Igreja Primitiva teve início.

Pedro e André
Jesus lhes disse: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens.” (Mateus 4:19)
Pedro e André — filhos de João — nasceram em Betsaida. Mais tarde, passaram a viver juntos na cidade de Cafarnaum. Eram pescadores e trabalhavam ao lado de Tiago e João. Eram companheiros de profissão e provavelmente já se conheciam há muitos anos.
Pedro e André foram seguidores de João Batista nos primeiros momentos. Foi André quem apresentou seu irmão mais velho, Pedro, a Jesus, quando ainda estavam no deserto com João. (João 1:40-42) Acredita-se que, nesse momento, eles se tornaram seguidores espirituais de Jesus. Após o encontro de Pedro com Cristo, deixaram João Batista e passaram a seguir Jesus.

- Pedro
Também conhecido como Simão, Simão Pedro ou Cefas (que significa “Rocha”), Pedro era uma pessoa extrovertida, um líder nato e porta-voz evidente entre os doze. Seu nome aparece muito mais vezes no Novo Testamento do que o de qualquer outro discípulo. Ele era o mais velho dos dois irmãos e o único discípulo casado. (Lucas 4:38) Sua esposa o acompanhava em suas viagens missionárias. (1 Coríntios 9:5) Sua missão era levar o Evangelho aos judeus circuncidados. (Gálatas 2:7)
Pedro é amplamente lembrado por ter negado Jesus três vezes após a prisão de Cristo. Anos mais tarde, quando foi preso, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, pois não se considerava digno de morrer da mesma forma que seu Senhor. Morreu como mártir em Roma, durante o reinado de Nero. Alguns acreditam que sua morte tenha ocorrido por volta da mesma época em que Paulo foi decapitado.

- André
Discípulo precoce de João Batista, André — junto com João, filho de Zebedeu — estava presente quando João declarou: “Eis o Cordeiro de Deus!” (João 1:35). André foi o primeiro a seguir Jesus, e seu entusiasmo ficou evidente ao apresentar seu irmão mais velho a Cristo, revelando o que já existia em seu coração: um profundo amor por Deus.
Diferente de seu irmão Pedro, André não era uma figura dominante. Ainda assim, foi um pregador apaixonado, proclamando o evangelho com ousadia e tendo um papel importante no crescimento da igreja primitiva.
André também morreu como mártir. Enfrentou a crucificação com coragem e firmeza. Suas palavras foram: “Ó cruz tão bem-vinda e tão desejada! De mente disposta, com alegria e desejo, venho a ti, sendo discípulo d’Aquele que em ti foi pendurado, pois sempre te amei e anseio por te abraçar.”

Tiago e João — Filhos de Zebedeu
Há indícios de que Zebedeu era um homem de posses, pois tinha empregados suficientes para ajudá-lo em seu negócio de pesca. (Marcos 1:20) Nas Escrituras, Tiago é citado antes de seu irmão mais novo, João, mas permanece relativamente discreto, exceto pelo fato de fazer parte do círculo íntimo de Jesus. João, por outro lado, aparece com muito mais destaque durante os três anos de ministério ao lado de Cristo.
Tiago e João eram conhecidos por sua paixão intensa e fervor. Por causa disso, Jesus lhes deu o apelido de “Filhos do Trovão”. (Marcos 3:17)

- Tiago
Tiago era o irmão mais velho de João. Ele é uma figura mais discreta entre os discípulos, já que pouco se fala sobre ele nas Escrituras. No entanto, como parte do círculo íntimo de Jesus — os “três mais próximos” — ele esteve presente, junto com Pedro e João, em momentos muito importantes: quando Jesus ressuscitou a filha de Jairo (Marcos 5:37), na transfiguração no monte (Mateus 17:1) e também no Jardim do Getsêmani, pouco antes da crucificação. (Marcos 14:33)
Tiago foi o primeiro dos discípulos a ser martirizado — foi decapitado — e o único cuja morte como mártir é registrada nas Escrituras. (Atos 12:1-3)

- João
Conhecido como o “discípulo a quem Jesus amava”, João também fazia parte do grupo íntimo dos três mais próximos de Cristo. (João 3:23) Ele foi responsável por escrever uma grande parte do Novo Testamento — o Evangelho de João, as cartas 1, 2 e 3 João, e o livro de Apocalipse. João escreveu mais sobre o amor do que qualquer outro autor do Novo Testamento, reflexo de sua proximidade com Jesus e do quanto aprendeu sobre o verdadeiro amor.
Ele foi exilado na ilha de Patmos durante o reinado do imperador Domiciano. Após a morte deste, João pôde retornar a Éfeso, onde passou a liderar as igrejas da Ásia até sua morte, por volta do ano 100 d.C.

- Filipe
“No dia seguinte, Jesus decidiu partir para a Galileia, e encontrou Filipe. Jesus disse a ele: ‘Siga-me’.” (João 1:43)
O que sabemos sobre Filipe? Quase nada. Embora fosse judeu, só o conhecemos pelo seu nome grego, Filipe. Com um coração voltado para o evangelismo, ele se mostrou ansioso para contar a Natanael que aquele prometido por Moisés e pelos profetas havia sido encontrado. (João 1:45) Eram companheiros próximos e possivelmente estudavam juntos o Antigo Testamento.
Filipe foi apedrejado e crucificado em Hierápolis, na Frígia.

- Natanael
Também conhecido como Bartolomeu, Natanael era natural de Caná, na Galileia. (João 21:2) Demonstrou certo preconceito local em relação a Nazaré. (João 1:46) Jesus percebeu a sinceridade do seu amor por Deus desde o início, ao dizer: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade!” (João 1:47)
Acredita-se que Natanael tenha pregado na Índia e traduzido o Evangelho de Mateus para o idioma local. Foi espancado, crucificado e decapitado, morrendo como mártir enquanto servia ao povo de Albinópolis, na Armênia.

- Mateus
Levi, filho de Alfeu, Mateus era um cobrador de impostos — um dos grupos mais desprezados em toda Israel. Eles eram conhecidos por cobrar valores além do devido do povo para pagar os romanos e enriquecerem a si mesmos.
Certo dia, enquanto Jesus estava reclinado à mesa numa casa, muitos cobradores de impostos e pecadores chegaram e jantaram com Jesus e seus discípulos, pois muitos os seguiam. Os escribas dos fariseus, ao verem que Jesus comia com pecadores e cobradores de impostos, questionaram os discípulos: “Por que ele come e bebe com esses?” Jesus respondeu: “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas os doentes; não vim chamar os justos, mas os pecadores.” (Marcos 2:16)
Ao continuar seu caminho, Jesus viu Mateus sentado na coletoria de impostos e o chamou: “Siga-me!” Mateus levantou-se e o seguiu. (Mateus 9:9)
Mateus levou o evangelho para a Etiópia e o Egito. Foi morto por Hircanus, o rei, que o matou com uma lança.

Tomé
Conhecido popularmente como “Tomé, o Duvidador,” ele também era chamado de Dídimo, que significa “O Gêmeo” (embora a Bíblia nunca mencione um irmão ou irmã gêmeo). Tomé era um cético declarado, chegando a ser visto como pessimista. Nos três primeiros Evangelhos, não há muitos detalhes sobre ele além da menção do nome. A primeira vez que João menciona Tomé é em João 11:16. Lázaro havia morrido, e os discípulos temiam pela vida de Jesus e a deles próprios se voltassem a Betânia. Tomé se manifesta: “Vamos também nós, para morrermos com Ele.” (João 11:16) Aqui vemos uma característica de coragem e lealdade a Cristo, traços pouco associados a Tomé.
Sua devoção a Cristo fica ainda mais evidente quando Jesus disse aos discípulos que iria partir para preparar um lugar para eles. “E vocês sabem o caminho para onde eu vou.” Tomé respondeu: “Senhor, não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho?” (João 14:4-5) Tomé não queria ficar para trás. Depois, seu amor por Jesus e o desejo de ver e tocar antes de crer culminaram em sua declaração: “Meu Senhor e meu Deus!” (João 20:28)
A tradição indica fortemente que Tomé fundou a igreja cristã na Índia. Alguns relatos afirmam que ele foi morto por uma lança, ironicamente, assim como Jesus foi perfurado por uma lança.

- Tiago, o Menor
Ele é filho de Alfeu (Lucas 6:15). Sua mãe se chamava Maria (Marcos 15:40) e tinha um irmão chamado José (Mateus 27:56). Além de alguns detalhes sobre sua família, não há muitas informações sobre ele nas Escrituras. Talvez por isso seja chamado de Tiago, o Menor, em Marcos 15:40. O que importa lembrar é que, embora estivesse mais nos bastidores, Tiago foi escolhido por Jesus para ser um dos doze discípulos. Ele foi treinado e usado por Cristo de forma poderosa para expandir o Reino de Deus, sendo um membro valioso da equipe.
A tradição afirma que ele foi crucificado no Sinai ou, possivelmente, apedrejado até a morte em Jerusalém.

- Simão, o Zelote
Simão provavelmente foi um ativista político na juventude. Por que Jesus escolheria alguém com esse passado?
“É impressionante que Jesus tenha escolhido um homem como Simão para ser apóstolo. Mas ele era um homem de lealdades intensas, paixão incrível, coragem e zelo. Simão acreditou na verdade e abraçou Cristo como seu Senhor. O entusiasmo ardente que ele tinha por Israel passou a se manifestar em sua devoção a Cristo.” — Doze Homens Comuns
Há especulações sobre o que aconteceu com Simão. A tradição diz que, após pregar na costa oeste da África, Simão foi para a Inglaterra, onde acabou sendo crucificado em 74 d.C.

- Judas, filho de Tiago
O décimo primeiro nome na lista dos discípulos é Judas. Também conhecido como Judas Tadeu, Thaddaeus ou Lebeu, Judas viveu na obscuridade como um dos Doze. Ele fez uma pergunta a Jesus em João 14:22: “Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?” Judas parecia estar bastante preocupado com essa questão. Cristo respondeu que se revelaria a todos que o amassem.
A maioria das tradições antigas diz que Judas, filho de Tiago, alguns anos após Pentecostes, levou o evangelho para o norte, até Edessa. Lá, ele curou o rei Abgar de Edessa. O historiador Eusébio afirmou que os arquivos de Edessa continham registros da visita de Judas e da cura de Abgar (esses registros foram destruídos posteriormente). O símbolo tradicional de Judas é um porrete, e a tradição diz que ele foi morto a golpes desse instrumento por causa da sua fé.

- Judas Iscariotes
Jesus respondeu-lhes: “Não vos escolhi Eu a vós, os doze, e um de vós é o diabo?” Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotes, pois ele, um dos doze, estava para trair Jesus. (João 6:70-71)
O Traidor. Nada se sabe sobre a origem de Judas. Seu encontro e chamado por Jesus não são registrados nas Escrituras. Sabe-se apenas que ele não era da Galileia. Obviamente, tornou-se seguidor e permaneceu com Jesus por três anos. Ele deu a Cristo três anos da sua vida, mas certamente não lhe deu o coração — e Jesus sabia disso. Judas traiu Jesus por trinta moedas de prata. (Mateus 26:15)
“Os outros onze apóstolos são um grande encorajamento para nós, porque exemplificam como pessoas comuns, com falhas típicas, podem ser usadas por Deus de maneiras extraordinárias e notáveis. Judas, por outro lado, é um alerta sobre o potencial maligno da negligência espiritual, das oportunidades desperdiçadas, dos desejos pecaminosos e da dureza de coração. Aqui estava um homem que se aproximou do Salvador tanto quanto humanamente possível. Ele desfrutou de todos os privilégios que Cristo oferece. Conhecia intimamente tudo que Jesus ensinou. Porém, permaneceu na incredulidade e foi para uma eternidade sem esperança.” — Twelve Ordinary Men
Fonte: Crosswalk
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.
