A Bíblia é Isenta de Erros? E Por Que Isso Importa?

A Bíblia é Isenta de Erros? E Por Que Isso Importa?

Quando a cultura escolhe partes da Bíblia conforme sua conveniência.

Nas décadas de 1980 e 1990, surgiu uma grande controvérsia no meio evangélico em torno da questão da inerrância bíblica. Um argumento comum naquela época era que a doutrina da inerrância teria sido uma invenção dos teólogos de Princeton no final do século XIX, como uma resposta à crítica bíblica mais avançada. Antes disso, afirmavam, os cristãos não criam que a Bíblia estivesse livre de erros, mas apenas que era “infalível”. Essa distinção fazia uma grande diferença: significava que a Bíblia seria precisa nos assuntos de fé e prática, mas não necessariamente isenta de erros em áreas como ciência ou história.

Embora o termo “inerrância” possa ser relativamente recente, a ideia em si não é. A maneira como os Pais da Igreja descreveram as Escrituras é praticamente idêntica ao que os teólogos de Princeton queriam dizer com inerrância. O mesmo pode ser dito sobre teólogos da Idade Média, da Reforma e até de períodos modernos anteriores ao surgimento do liberalismo teológico.

O ataque à ideia de inerrância bíblica ocorrido há cerca de 40 anos é, essencialmente, o mesmo ataque à autoridade das Escrituras que surgiu durante o Iluminismo. Quando a razão e a ciência passaram a ser consideradas os principais critérios da verdade, tornou-se necessário rejeitar elementos como os relatos bíblicos de milagres. Para alinhar as Escrituras — especialmente Gênesis — com a ciência aceita, assumiu-se que a Bíblia não estava descrevendo uma história literal nem tentando fazer afirmações científicas.

O ataque à inerrância bíblica logo se transformou em um ataque às interpretações literais da Escritura. Aqueles chamados de “literalistas” são frequentemente acusados de idolatrar ou adorar a Bíblia no lugar de Deus. No entanto, a doutrina da inerrância não pode ser reduzida a uma simples leitura literal da Bíblia. A inerrância afirma que o texto bíblico, conforme foi escrito pelos autores originais, está livre de erro em tudo o que afirma, desde que seja corretamente interpretado. Cada parte dessa definição é essencial, especialmente a ideia de interpretação, que exige compreender os diversos tipos de textos presentes na Bíblia. Isso permite que haja divergências legítimas entre pessoas que creem na inerrância quanto à forma de ler livros como Gênesis ou Apocalipse.

Resumindo: a Bíblia é inerrante. Nossas interpretações, não. Para compreender o que Deus deseja nos comunicar, é necessário estudar toda a Escritura com cuidado e seriedade.

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A inerrância também afirma que os autores humanos da Bíblia escreveram com suas próprias palavras, utilizaram diferentes gêneros literários e expressaram suas personalidades nos textos. Mesmo assim, foram inspirados — ou, como Pedro descreveu, “impelidos” — pelo Espírito Santo, sendo assim preservados do erro. Da mesma forma que Jesus, o Verbo vivo, é ao mesmo tempo humano e divino — e sua humanidade não implicava em pecado —, também a Palavra escrita é simultaneamente humana e divina, e o elemento humano não implica em erro.

Hoje, a autoridade bíblica continua sendo desafiada pela mesma razão de sempre: a tentativa de alinhar as afirmações bíblicas com os valores amplamente aceitos pela cultura. Porém, agora, os valores com os quais a Escritura deve se conformar são majoritariamente morais — especialmente nas áreas de sexualidade e identidade. Declarações claras e diretas da Bíblia sobre homossexualidade, castidade, casamento e valor da vida são descartadas como “adoração à Bíblia” em vez de adoração a Deus. Alega-se, então, que Jesus amava a todos e pregava um evangelho de “inclusão radical”.

É claro que só sabemos o que Jesus ensinou por meio das Escrituras — e está tudo lá para ser estudado e meditado. As declarações de Jesus mostram que Ele tinha uma visão extremamente elevada das exigências morais do Antigo Testamento. Sempre que Ele corrige interpretações da Lei — com exceção das leis alimentares —, Ele as torna mais rigorosas, nunca mais leves. Se quisermos usar Jesus como guia, precisamos confiar nos relatos bíblicos sobre Ele. Isso significa que os padrões morais da Lei se aplicam não apenas às nossas ações, mas também às nossas motivações e atitudes. Jesus não sussurra sobre santidade, incluindo a santidade sexual. Suas palavras são claras. Não há como conciliar o Jesus descrito na Bíblia com o apoio ao “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, ao aborto ou a práticas que ferem crianças por meio de castração ou mutilação.

Rejeitar a autoridade plena das Escrituras é, no fundo, entregar a autoridade às vontades da cultura ou aos desejos humanos. Como disse Santo Agostinho: “Se você acredita no que gosta nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas em si mesmo.”

Fonte: Breakpoint.