Judeus e cristãos têm basicamente a mesma religião?
Como judeus e cristãos ambos afirmam possuir a Palavra de Deus, será que têm basicamente a mesma religião?
A fé da maioria dos judeus religiosos é chamada judaísmo. É a mais antiga das três grandes religiões monoteístas do mundo (ou seja, religiões que servem a um único Deus). O judaísmo é a raiz tanto do cristianismo quanto do islamismo. Ele proclama que há somente um Deus, cujo nome é Yahweh, e que Ele é o criador e governante do universo. Deus revelou Sua lei, a Torá, ao povo judeu (que na época era conhecido como hebreus) e escolheu esse povo para ser uma luz para toda a humanidade. A Torá contém cerca de 613 mandamentos, resumidos nos Dez Mandamentos.
Um conceito muito importante no judaísmo é o do Messias. Originalmente, os judeus acreditavam que Deus enviaria um mensageiro poderoso (o Messias) que libertaria Israel de seus opressores e inauguraria um período de paz e prosperidade. Hoje, muitos judeus já não acreditam em um messias pessoal, mas esperam por uma era messiânica de justiça e verdade. Para os judeus, a vinda do Messias ou a era messiânica ainda está por vir.
As Escrituras sagradas do judaísmo são compostas por três grupos de documentos: a Lei, os Profetas e os Escritos (como os Salmos e Provérbios). Essas Escrituras também formam o Antigo Testamento da Bíblia cristã. O judaísmo não aceita a inspiração do Novo Testamento nem seu relato sobre o cumprimento das profecias do Antigo Testamento.
Existem muitas áreas de concordância entre as duas religiões, pois os cristãos também aceitam o Antigo Testamento e todos os seus ensinamentos como inspirados. Entre as verdades básicas aceitas por ambas as fés estão a criação perfeita do mundo a partir do nada por um Deus infinito, a entrada do pecado no mundo por meio da tentação de outro ser transcendente chamado Satanás, o julgamento de Deus sobre o pecado e a necessidade de expiação pelo pecado. No judaísmo, essa expiação é realizada por meio de sacrifícios, orações, atos de justiça e pela misericórdia de Deus.
No entanto, o judaísmo não aceita o ensino central cristão de que Jesus Cristo é o Messias previsto no Antigo Testamento. Esse ponto decisivo é enfatizado ao longo do Novo Testamento e declarado com força em Gálatas 3:13-14: “Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei. Quando foi pendurado na cruz, ele tomou sobre si a maldição pelos nossos erros. Pois está escrito nas Escrituras: ‘Maldito todo aquele que for pendurado em uma árvore.’ Por meio da obra de Cristo Jesus, Deus abençoou os gentios com a mesma bênção que prometeu a Abraão” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje).
Todas as diferenças em cerimônias, alimentos kosher, vestimentas, festivais e formas de adoração não são tão fundamentais quanto a expectativa messiânica e seu cumprimento em Cristo. O cristianismo herdou do judaísmo sua compreensão básica sobre Deus, seu relacionamento de aliança com o Seu povo e a prática de reunir-se para o culto. Há um plano divino para a história, que avança em direção a um objetivo maravilhoso, quando Yahweh será o Rei não só dos judeus, mas de toda a terra. A separação das influências corruptoras do mundo pagão é importante, mas o judaísmo não é uma religião que foca em um mundo espiritual distante. Seu foco está neste mundo presente, onde a vida deve ser rica e plena.
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Alguns judeus que se tornaram cristãos se referem a si mesmos como “judeus completos.” De fato, o Antigo Testamento está cheio de esperança, e o cumprimento dessa esperança é maravilhosamente descrito no Novo Testamento. Texto após texto mostra como Jesus Cristo cumpre tudo o que os profetas previram. Nele, as grandes promessas do Antigo Testamento tornam-se a herança de todos que aceitam Sua salvação. O fluxo do favor divino agora se amplia para abraçar crentes de todas as tribos e nações.
Todos nós temos uma dívida enorme com os judeus. Herdamos muito deles, e deles veio o próprio Filho de Deus, o Messias. A fé n’Ele, isto é, em Sua morte e ressurreição uma vez por todas, é a chave para a paz no coração agora e a esperança para o futuro. Agora podemos não apenas olhar para trás, para uma história maravilhosa, mas também para frente, para o dia em que Seu reino acolherá pessoas de todas as nações. Esse Messias também é o seu Salvador para o tempo e para a eternidade?
Fonte: Biblica.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.

