Os Materialistas: uma comédia romântica que nos recorda que o amor de Deus não tem limites.
O mais recente filme de Celine Song acompanha uma bem-sucedida casamenteira de Nova York que junta pessoas reduzindo-as a números como idade, altura e salário. Mas Deus não age assim, afirma Giles Gough, e os cristãos em busca do amor também não deveriam agir dessa forma.
À primeira vista, The Materialists parece a típica comédia romântica. Dakota Johnson enfrenta o “terrível” dilema de escolher entre o riquíssimo Pedro Pascal e o excessivamente sincero Chris Evans. Mas afinal, como ela vai decidir?
No entanto, olhando mais de perto, o filme também funciona como uma reflexão sobre o cenário atual dos relacionamentos. A personagem de Johnson, Lucy, trabalha como uma casamenteira de alto padrão. Ela busca parceiros ideais para aqueles suficientemente ricos para pagar um serviço de luxo que cobra milhares de dólares. Como estão pagando um valor elevado, esses clientes acreditam ter o direito de exigir exatamente o que desejam em um parceiro, sendo extremamente específicos em relação a critérios como idade, IMC, salário e, principalmente, altura.
CADA PESSOA POSSUI UM VALOR INTRÍNSECO PARA DEUS QUE, EM ÚLTIMA ANÁLISE, É IMPOSSÍVEL DE MEDIR.
Como o casamento é o maior indicador de sucesso para uma casamenteira, o filme começa com Lucy participando do nono matrimônio pelo qual ela é responsável. Lá, ela acaba sendo cortejada por Harry (interpretado pelo carismático Pedro Pascal), um solteiro cobiçado que possui uma fortuna de muitos milhões.
Entretanto, o destino a surpreende: no mesmo casamento, ela reencontra seu ex. John (Chris Evans) é um ator em dificuldades financeiras, que se sustenta trabalhando como garçom em um serviço de bufê. Ao longo da trama, Lucy se vê dividida entre o homem que parece perfeito no papel e aquele que, apesar de tudo, ela não consegue esquecer.
Embora o filme apresente todos os elementos de uma comédia romântica contemporânea, também é a maneira que a diretora Celine Song encontrou de refletir sobre como o universo dos relacionamentos modernos transformou as pessoas em mercadorias — e sobre a frustração que isso gera. “Eu não sou um produto”, protesta, indignado, um dos clientes de Lucy. Sim, a narrativa é exagerada, ambientada em Nova York — a cidade que praticamente inventou o cinismo — e recheada de clientes retratados como crianças mimadas. Mas muitos dos princípios retratados refletem o que se vê no mundo real dos encontros amorosos.
“O amor é a última religião”, nos diz o filme, e quando se acrescenta o elemento da fé ao universo dos relacionamentos, tudo se torna exponencialmente mais complicado.
O círculo de encontros cristãos é muito mais restrito. Pesquisas mostram que as igrejas costumam ter mais mulheres do que homens, o que não apenas cria um cenário de escassez para as solteiras, mas também gera insegurança nos solteiros. Afinal, se os números parecem estar a seu favor e, ainda assim, você continua sem par, é natural começar a se perguntar se há algo de errado consigo mesmo.
Recorrer aos aplicativos de relacionamento traz seus próprios desafios. Além dos fatores já presentes no mundo secular, existe o risco de, inconscientemente, reduzir a relação de alguém com Jesus também a um conjunto de números. Usamos nossos próprios “critérios secretos” para avaliar a autenticidade da fé de outra pessoa: há quanto tempo ela é cristã? Com que frequência frequenta a igreja? Qual a regularidade com que lê a Bíblia e ora?
Quer as pessoas admitam ou não, esses números podem influenciar diretamente a decisão de marcar — ou não — um segundo encontro. Afinal, dizer que é cristão e viver como cristão são, muitas vezes, coisas bem diferentes.
AMOR SEM MEDIDA
The Materialists também expõe o contraste entre a natureza implacável dos relacionamentos modernos e o caráter altruísta do amor. “Namorar exige esforço… o amor é fácil”, diz Lucy a Harry logo no início. Para quem conhece bem o gênero, a escolha entre um “homem de alto valor” (termo bastante usado por incels) e um trabalhador intenso e apaixonado pode até parecer previsível. Mas tentar adivinhar o final é perder o verdadeiro sentido da obra.
A diretora indicada ao Oscar, Celine Song, aproveita The Materialists como oportunidade para refletir sobre a essência do amor, do casamento e dos relacionamentos. O filme não apenas se inspira em sua própria experiência como casamenteira em Nova York, mas também carrega marcas claras de sua trajetória como dramaturga.
USAMOS NOSSO PRÓPRIO CRITÉRIO PESSOAL PARA TENTAR DETERMINAR A AUTENTICIDADE DA FÉ DE OUTRA PESSOA.
O filme é, essencialmente, uma série de diálogos entre personagens que são naturalmente articulados e emocionalmente sensíveis. No entanto, a narrativa não se sustenta totalmente, já que falta um pouco de impulso à história, e há um arco sobre os riscos que mulheres enfrentam com homens predatórios, que parece nunca ter tempo ou espaço para se desenvolver plenamente.
Para os cristãos, isso funciona como um lembrete de como Deus nos vê, mostrando o oposto do que o mundo valoriza. Cada pessoa possui um valor intrínseco para Deus que é, em última análise, impossível de quantificar. Isso é bem resumido pela diretora, que recentemente disse a Simon Mayo e ao crítico de cinema Mark Kermode: “Se você perguntar à pessoa que realmente te ama: ‘Por que você me ama?’, ela não vai enxergar nenhum número”.
Fonte: Premier Christianity.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.

