Papa na Audiência: “O amor cristão não é fuga, mas decisão”
Durante a Audiência Geral semanal, o Papa Leão refletiu sobre a prisão de Jesus no Jardim das Oliveiras, ressaltando que, mesmo em momentos de medo, injustiça e solidão, Deus se faz presente.
Por Kielce Gussie
Dando continuidade ao ciclo de catequeses para o Ano Jubilar da Esperança, o Papa Leão XIV concentrou-se na Paixão de Jesus durante a Audiência Geral desta quarta-feira, destacando em especial o momento de Sua prisão no Jardim das Oliveiras.
São João Evangelista não apresenta Jesus como alguém amedrontado ou que tenta escapar da situação. Pelo contrário, descreve-O como um “homem livre, que avança e fala, enfrentando abertamente a hora em que a luz do maior amor pode ser revelada.”
Não uma vítima, mas um doador
Jesus não ignorava o que iria enfrentar após a prisão. Ainda assim, permaneceu firme e não recuou; ao contrário, entregou-Se aos guardas. Como destacou o Papa Leão, esse gesto foi realizado “não por fraqueza, mas por amor.” Um amor pleno, maduro e que não teme a rejeição.
Jesus não é uma vítima da prisão, pois é Ele mesmo quem Se deixa levar. Ele é o “doador de um presente”, já que “encarna uma esperança de salvação para a nossa humanidade: a certeza de que, mesmo na hora mais sombria, é possível permanecer livre para amar até o fim.”
Verdadeiro ato de amor
O Papa destaca uma passagem misteriosa do Evangelho — o momento em que Jesus diz: “Sou eu”, e os soldados caem por terra. Essa cena remete, na revelação bíblica, ao próprio nome de Deus, “Eu sou”. Naquele instante no jardim, Jesus demonstra que Deus está presente justamente nos momentos em que o ser humano enfrenta injustiça, medo e solidão. O Papa Leão explica que é em situações assim que “a verdadeira luz está pronta para brilhar, sem receio de ser vencida pela escuridão que avança.”
Na escuridão da noite, quando tudo parece desmoronar, Jesus mostra que a esperança cristã não é fuga, mas decisão. O Papa sublinha que essa atitude nasce de uma vida enraizada na oração, em que “não se pede a Deus que nos livre do sofrimento, mas sim que nos conceda a força para perseverar no amor.”
O Papa Leão prossegue, ressaltando que, no momento de Sua prisão, Jesus não se preocupa consigo mesmo. Pelo contrário, Seu olhar está voltado para a salvação dos discípulos. Isso revela que Seu sacrifício é verdadeiramente um ato de amor — Ele se deixa levar para que Seus amigos possam permanecer livres.
Uma vida inteira de preparação
O Papa ressalta que Jesus havia se preparado durante toda a Sua vida para essa “hora dramática e sublime”, e é por isso que respondeu com coragem. Ele compreendia que entregar a própria vida por amor não significava fracassar, mas sim realizar-se plenamente.
Isso, porém, não quer dizer que Jesus não tenha se angustiado diante do momento que marcava o início de Seu caminho até a cruz. Mas Ele conseguiu prosseguir porque sabia que estava oferecendo Sua vida por amor.
“É disso que consiste a verdadeira esperança: não em tentar fugir da dor, mas em acreditar que, mesmo no coração do sofrimento mais injusto, está escondida a semente de uma nova vida.”
Voltar-se para a lógica do Evangelho
“Como tudo isso se relaciona conosco?”, pergunta o Papa. Em vez de defendermos nossas vidas, planos e seguridades, e ainda assim permanecermos sozinhos, ele nos convida a seguir a lógica do Evangelho. Ou seja, “apenas o que é dado floresce; somente o amor que se torna livre pode restaurar a confiança mesmo onde tudo parece perdido.”
Usando a imagem do jovem que, ao ver Jesus preso, foge nu, o Papa Leão explica que nós também temos momentos em que, ao seguir Jesus, somos pegos de surpresa e tentados a abandonar o caminho do Evangelho porque amar parece impossível.
Mas a história termina com um jovem vestido com uma túnica branca anunciando a ressurreição, símbolo da esperança de nossa fé. Deus não se limita em perdoar por causa de nossos pecados e reservas, e Ele é capaz de restaurar em nós o desejo de retomar nosso papel como Seus seguidores — tornando-nos capazes de entregar nossa vida pelos outros.
O Papa Leão conclui sua catequese encorajando todos a deixar que nossas vidas “sejam uma resposta ao bem que recebemos.” Embora não possamos controlar tudo, “basta escolher amar livremente a cada dia.” Nossa esperança permanece de que, mesmo nos dias mais sombrios, o amor de Deus está presente, sustentando-nos e amadurecendo o fruto da vida eterna que nos aguarda.
Fonte: Vatican News.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.
