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O cardeal Vincent Nichols condena palavras e símbolos que “se apropriam do cristianismo”

O cardeal Vincent Nichols, presidente da Conferência dos Bispos da Inglaterra e do País de Gales, uniu-se a outros líderes cristãos do país para manifestar preocupação com o fato de que manifestantes estavam “se apropriando do cristianismo” durante o recente comício “Unir o Reino”, em Londres.

“Como líderes de igrejas cristãs neste país, queremos expressar nossa profunda preocupação de que, no comício ‘Unir o Reino’ e em outros lugares, alguns têm utilizado símbolos e palavras da fé cristã para sustentar visões e atitudes que, na realidade, se opõem à mensagem cristã”, afirmaram os presidentes do Churches Together in England (CTE) em um comunicado de 23 de setembro.

“Em contraste, desejamos declarar de forma clara algumas das principais mensagens da fé que compartilhamos, as quais constituem uma contribuição essencial para o bem-estar de todas as pessoas em nossas terras”, escreveram.

A declaração foi feita após o recente comício “Unir o Reino”, na Inglaterra, organizado pelo ativista anti-imigração Tommy Robinson. Segundo a Reuters, o evento reuniu entre 110 mil e 150 mil pessoas e contou com a participação em vídeo do bilionário Elon Musk.

Robinson, cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon, organizou o comício em resposta ao número recorde de solicitantes de asilo na Grã-Bretanha e ao aumento dos crimes que eles supostamente estariam cometendo.

Durante seu discurso no evento, onde manifestantes carregavam a bandeira britânica Union Jack e também a cruz vermelha de São Jorge, símbolo da Inglaterra, Robinson declarou: “Hoje é a faísca de uma revolução cultural na Grã-Bretanha, este é o nosso momento”, elogiando ainda os presentes por representarem “uma onda gigantesca de patriotismo”.

Paralelamente, ocorreu uma manifestação menor, chamada “Stand Up to Racism”, com cerca de 5 mil pessoas. Nela, um orador identificado como Ben Hetchin afirmou, segundo a Reuters: “A ideia de ódio está nos dividindo, e acredito que quanto mais acolhemos as pessoas, mais forte nos tornamos como país.”

A declaração dos líderes cristãos também confrontou o tom do comício de Robinson, condenando o uso da Cruz de São Jorge em protestos contra a imigração.

“A cruz de Cristo revela o amor de Deus, imenso e incondicional, por cada ser humano”, dizia a declaração. “A cruz e o Evangelho de Cristo jamais devem ser apropriados para sustentar mensagens que geram hostilidade contra os outros. Sua mensagem nunca legitima rejeição, ódio ou superioridade em relação a pessoas de outras culturas.”

“Como cristãos, desejamos que toda política seja fundamentada em valores sólidos e compassivos. Por isso, oramos por um espírito generoso e justo, que não demonize o outro simplesmente por ser diferente. Oramos para que tenhamos misericórdia daqueles que necessitam e que buscam legitimamente a nossa ajuda. Oramos por um verdadeiro avivamento cristão, no qual pessoas de todas as crenças ou sem crença, de todas as etnias e modos de vida, possam sentir-se seguras e valorizadas pelos dons que trazem.”

Nichols contou com o apoio de outros líderes religiosos: o bispo Tedroy Powell, presidente pentecostal e carismático do CTE e bispo nacional da Igreja de Deus da Profecia no Reino Unido; a reverenda doutora Tessa Henry-Robinson, moderadora do Grupo das Igrejas Livres; a bispa Paulina Hławiczka-Trotman, presidente do CTE pelo Quarto Grupo da Presidência e líder da Igreja Luterana na Grã-Bretanha; e Sua Eminência o arcebispo Nikitas, presidente do CTE pelas Igrejas Ortodoxas e arcebispo do Patriarcado Ecumênico (Diocese de Tiatira e Grã-Bretanha).

Fonte: Catholic News Agency.