O Papa Leão XIV incentiva os tecnólogos católicos a usarem a inteligência artificial para divulgar o Evangelho.
Embora o Papa Leão XIV tenha manifestado publicamente sua preocupação com os perigos da inteligência artificial quando usada sem diretrizes éticas, em uma mensagem dirigida a uma conferência em Roma, ele destacou o potencial dessa tecnologia para promover a missão cristã.
ROMA (CNS) — O Papa Leão XIV afirmou que a inteligência artificial deve servir à missão de evangelização da Igreja, incentivando tecnólogos e investidores católicos reunidos em Roma a criarem sistemas que ajudem a difundir o Evangelho.
“Seja ao desenvolver algoritmos voltados à educação católica, ferramentas para um cuidado de saúde compassivo ou plataformas criativas que contem a história cristã com verdade e beleza, cada participante contribui para uma missão comum: colocar a tecnologia a serviço da evangelização e do desenvolvimento integral de cada pessoa”, escreveu o pontífice.
A mensagem do Papa Leão foi lida em voz alta no dia 7 de novembro pelo padre jesuíta David Nazar, durante o Builders AI Forum 2025 — um encontro de dois dias voltado à troca de ideias e à colaboração, realizado na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Desde o início de seu pontificado, o papa tem ressaltado a importância de uma inteligência artificial guiada por princípios éticos, mas sua mensagem à conferência marcou a primeira vez em que ele associou diretamente o potencial dessa tecnologia à missão evangelizadora da Igreja.
Os organizadores do fórum afirmaram que os desafios são grandes, já que as ferramentas de inteligência artificial influenciam cada vez mais a forma como as pessoas buscam sentido e propósito na internet.
“Há bilhões de pessoas que ainda não conhecem Cristo nem a verdade que o cristianismo contém em sua plenitude”, disse Matthew Sanders, desenvolvedor católico de IA e um dos organizadores do evento. “Se a orientação da Igreja não estiver presente, essa tecnologia tem o poder de causar danos inimagináveis, ampliando a confusão e o desespero.”

Os materiais de inscrição indicavam cerca de 200 participantes, entre eles engenheiros de software, investidores de capital de risco, produtores de mídia católica, bispos e representantes do setor de comunicações do Vaticano. O fórum foi estruturado como uma cúpula de trabalho, e não como uma conferência pública, com a maioria das discussões realizadas em oficinas de pequenos grupos.
A lista de inscritos incluía representantes da Microsoft, Palantir Technologies e Goldman Sachs, além de cineastas católicos e líderes de ministérios. O ator e produtor Lorenzo Henrie — que atualmente cofinancia e interpreta um dos apóstolos em A Ressurreição de Cristo, filme de Mel Gibson em gravação na Itália — também estava entre os participantes.
Após as considerações iniciais, os participantes se dividiram em seis grupos de trabalho, cada um responsável por abordar um desafio específico. Os temas variavam desde o uso da inteligência artificial na educação católica até a discussão sobre se a Igreja deveria tentar desenvolver um “Teste de Turing Católico” para identificar sinais de consciência em sistemas avançados.
O maior interesse pareceu concentrar-se na oficina “Construindo e Expandindo a IA Católica”, que reuniu cerca de metade dos participantes do fórum e teve como foco o uso da inteligência artificial na evangelização.
“Estamos começando a utilizar a IA para transmitir a verdade da fé católica”, disse Sanders à Catholic News Service em 6 de novembro. “Mas a fé vai além da transmissão da verdade. Existe também a dimensão pastoral, humana”, acrescentou.
Uma preocupação recorrente foi como ajudar as pessoas a passarem dos encontros digitais com conteúdos católicos para uma vivência real na comunidade paroquial.
Sanders observou que muitos usuários têm seu primeiro contato com os ensinamentos católicos por meio de aplicativos como Hallow ou Magisterium AI. Sem o devido acompanhamento, afirmou ele, novos fiéis podem enfrentar dificuldades para encontrar uma comunidade de fé onde possam participar da vida litúrgica.
“A questão é: como podemos ‘tirar as pessoas da rota’ de produtos como o Magisterium AI e garantir que elas encontrem uma comunidade ou aprendam como a fé é vivida na prática?”, disse Sanders.
O objetivo, acrescentou ele, é conectar as pessoas a uma tradição ou prática que as toque — seja a adoração eucarística, a missa carismática ou a missa em latim —, para que sejam acompanhadas em sua caminhada de fé, e não deixadas isoladas.
Em outra oficina, intitulada “IA para uma Narrativa Cristã Fiel na Mídia”, cineastas, roteiristas e criadores digitais discutiram como a inteligência artificial pode ajudar a ampliar o alcance das histórias católicas.
Para Eike Petersen, da Ajuda à Igreja que Sofre, o problema não está na falta de histórias significativas, mas na falta de visibilidade.
“Do ponto de vista da comunicação, há muito trabalho bom que a Igreja realiza em favor dos cristãos perseguidos em todo o mundo”, disse Petersen aos participantes. “Mas acredito que isso é algo que podemos ampliar com o uso da IA.”
Petersen afirmou esperar que a oficina ajudasse a esclarecer “qual tecnologia é necessária para isso e como implementá-la”, especialmente em regiões onde a atuação digital pode fortalecer a conscientização e a solidariedade.
Fonte: USCCB.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.

