Ataque israelense ao Irã faz preços do petróleo dispararem até 13% – CNN

Os preços do petróleo disparam até 13% após ataque israelense ao Irã

Os preços globais do petróleo registraram seus maiores aumentos percentuais de um único dia em anos, refletindo temores de que um conflito mais amplo no Oriente Médio possa provocar sérias interrupções no fornecimento de energia.

O Brent, referência global, subiu 4,3%, atingindo US$ 72,4 por barril na sexta-feira. Já o West Texas Intermediate, referência nos Estados Unidos, saltou 5%, chegando a US$ 71,4 por barril após ganhar até 13% intradiários. De acordo com a Reuters, essas foram as maiores valorizações intra-diárias para cada benchmark desde março de 2022, um mês depois da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.

Esse aumento evidencia tanto as preocupações imediatas com o fornecimento quanto a impressão de que manchetes negativas podem estender o período de escalada, diferentemente de episódios anteriores entre Israel e Irã, conforme destacou Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone.

No mercado acionário dos Estados Unidos, os futuros das ações caíram, levando investidores a buscar refúgio em ativos mais seguros, como o ouro. Os futuros do Dow despencaram 1,3% – mais de 540 pontos –, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq Composite recuaram 1,4% e 1,6%, respectivamente. Em contrapartida, o ouro subiu cerca de 1%, alcançando US$ 3.413,6 por onça troy.

Na manhã de sexta-feira, Israel lançou um ataque sem precedentes contra instalações nucleares e de mísseis do Irã, eliminando pelo menos dois dos principais comandantes militares iranianos. Em pronunciamento televisionado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que a “operação militar direcionada” deverá continuar por “vários dias”. “Esta operação continuará pelo tempo que for necessário para eliminar essa ameaça”, declarou.

Em resposta, foi declarado estado de emergência em Israel, enquanto se aguarda uma retaliação por parte do Irã, que aparentemente já teve início. O líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, advertiu que Israel enfrentará “punição severa” pelos ataques.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou que o país não esteve envolvido na operação israelense e alertou o Irã para não visar interesses ou pessoal americanos.

Investidores acompanham com apreensão como se desenrolará uma possível retaliação iraniana, se os Estados Unidos poderão ser alvos e se rotas críticas de transporte de petróleo poderão ser comprometidas.

Se o conflito levar à exclusão do petróleo iraniano do mercado, os preços podem subir cerca de US$ 7,50 por barril, segundo Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates. “O Irã sabe muito bem que Trump está focado em preços mais baixos de energia e que ações iranianas que afetem o fornecimento no Oriente Médio e elevem os preços do petróleo podem prejudicar Trump politicamente”, afirmou.

A preocupação maior agora é com um conflito ainda mais amplo que possa comprometer o fluxo de petróleo através do Estreito de Hormuz, o ponto de estrangulamento mais crítico para os suprimentos mundiais desse recurso. “Se as exportações de petróleo através do Estreito de Hormuz forem afetadas, podemos ver os preços alcançarem US$ 100 o barril”, observou Lipow.

Bob McNally, presidente da Rapidan Energy Group, afirmou à CNN que o mercado de petróleo estava “complacente em relação ao risco de interrupções geopolíticas” na região. “Com o início dos ataques de Israel contra o Irã, esperamos que um prêmio de risco significativamente maior seja incorporado ao preço do petróleo nos próximos dias”, disse.

Já Priyanka Sachdeva, analista sênior da Phillip Nova, destacou que a preparação do Irã para uma resposta militar “aumenta o risco não somente de interrupções, mas também de contágio para outras nações vizinhas produtoras de petróleo”. Ela completou que, embora Trump tenha demonstrado relutância em se envolver, uma eventual participação dos Estados Unidos pode reforçar essas preocupações.