Aqui está uma lição que os cristãos podem tirar da novela da transferência de Alexander Isak.

Aqui está uma lição que os cristãos podem tirar da novela da transferência de Alexander Isak.

Quando o jogador Alexander Isak forçou sua transferência do Newcastle para o Liverpool, ele destruiu seu legado da noite para o dia, afirma Max Avard. Seja ao deixar um emprego ou uma igreja, os cristãos devem se lembrar de que a maneira como partimos importa para Deus — e também deveria importar para nós.

Recentemente, tive uma conversa com um amigo no pub sobre um vício secreto com o qual ambos estávamos lutando.

Agora já conseguimos nos livrar disso, mas desconfio que não por muito tempo.

Quando janeiro chegar, ele voltará.

Nosso vício — prepare-se para revirar os olhos — era a janela de transferências do futebol.

É aquele período em que os fãs do esporte passam horas intermináveis vasculhando sites esportivos, jornais e tweets de Fabrizio Romano, imaginando qual clube vai contratar o novo prodígio brasileiro ou fazer uma proposta ousada por aquele artilheiro alemão de 30 gols por temporada, sobre o qual fingimos saber alguma coisa.

Na carta de Tiago, lemos sobre o poder da língua e como “uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena fagulha” — e o mesmo acontece na janela de transferências. Boatos viram fatos, rumores duvidosos se espalham pelas redes sociais, e histórias sem fonte estampam as manchetes esportivas.

E então surge a estrela — ou melhor, o vilão — da janela deste verão: Alexander Isak.

Isak chegou ao Newcastle em agosto de 2022 por £63 milhões, o valor mais alto já pago pelo clube. Apesar de alguns problemas recorrentes de lesão, ele rapidamente se tornou um dos favoritos da torcida e um dos atacantes mais prolíficos da Premier League. Na última temporada, marcou 23 gols na liga, ajudou o Newcastle a encerrar uma seca de 70 anos sem títulos e gravou seu nome na história dos Magpies. Em Tyneside, as listras pretas e brancas são quase um uniforme militar, e se Isak tivesse continuado com suas façanhas de artilheiro por mais algumas temporadas, seria quase certo ver pubs locais com seu nome, uma estátua em frente ao estádio e inúmeros torcedores ostentando tatuagens extravagantes em sua homenagem.

Mas não foi bem assim. Na semana passada, Isak protagonizou uma das transferências mais amargas da história do futebol, passando de herói a vilão em tempo recorde.

Em vez de consolidar sua santidade em St. James’ Park, o sueco passou todo o verão forçando uma transferência para o Liverpool. A novela de seis semanas dominou as manchetes, tornou-se o maior pesadelo do técnico Eddie Howe e ficou cada vez mais desgastante, com treinos separados, declarações enigmáticas sobre “promessas quebradas” e vazamentos constantes que corroíam a boa vontade que ainda restava. Por fim, a poucas horas do fechamento da janela, ele conseguiu o que queria: assinou com o rival Liverpool por um contrato de seis anos, em uma transferência recorde no Reino Unido de £125 milhões.

E o que podemos aprender com tudo isso? A lição é simples: é fundamental saber sair bem.

O motivo pelo qual Isak manchou seu legado de forma tão dramática não foi por ter saído, mas pela maneira como saiu. Ao fazer de tudo para forçar a transferência, ele descartou qualquer vínculo que havia construído com os torcedores e demonstrou total ingratidão pelo investimento que o clube fez nele como pessoa e jogador.

Seja você um jogador de futebol, um CEO ou um estagiário, a forma como se deixa um lugar pode ecoar mais alto do que tudo o que foi feito enquanto se permaneceu nele. Um legado pode ser construído ao longo de anos e se perder em um instante.

É inevitável pensar que Isak teria se beneficiado da sabedoria bíblica aqui. Em 1 Coríntios 16:14 lemos: “Que tudo o que vocês fizerem seja feito com amor”. E em Romanos 12:18: “Se possível, no que depender de vocês, vivam em paz com todos.”

A menos que a história contada esteja muito distante da realidade, é difícil enxergar em Isak atitudes motivadas pelo amor ou pela busca da paz. Mas, ao contrário de seus treinos solitários no verão, ele não está sozinho.

Uma pesquisa da Reed revelou que 1 em cada 7 trabalhadores no Reino Unido praticou o chamado revenge quitting em 2025: saídas propositalmente dramáticas e conturbadas, em momentos inoportunos, para protestar contra o local de trabalho. Muitos podem ter sentido uma satisfação imediata ao fazer isso, mas dificilmente esse tipo de atitude ajudará a curar feridas ou trará restauração a longo prazo.

E não se trata apenas de trabalho. E quanto à igreja? A maioria de nós, em algum momento, vai deixar uma comunidade. Talvez por motivos bons ou neutros, como uma mudança para outra região do país. Mas mesmo que a saída aconteça por causa de um desacordo teológico ou prático, ainda é possível sair bem. Evite a tentação da fofoca, mantenha a liderança informada sobre sua decisão e procure se despedir da forma mais pacífica possível. Afinal, Jesus disse que o mundo reconheceria que somos seus discípulos pelo amor que temos uns pelos outros — e não pelos comentários sarcásticos no Facebook da igreja.

Quando o apóstolo Paulo fala em fazer tudo com amor, ele não está pedindo uma educação superficial ou uma aceitação mecânica, mas sim integridade, honestidade e bondade. Não é necessário amar o seu trabalho para sair de forma correta, assim como viver “em paz com todos” não significa aceitar passivamente qualquer situação. Ao partir, devemos falar a verdade sem amargura, valorizar os relacionamentos que nos moldaram e resistir à tentação de transformar a saída em algo centrado apenas em nós mesmos.

Fica a lição para quando o Real Madrid bater à porta, senhor Isak…

Fonte: Premier Christianity.