As redes sociais estão se tornando o novo púlpito para a música cristã.

As redes sociais estão se tornando o novo púlpito para a música cristã.

“Quanto mais me aproximo de Deus”, diz um ouvinte, “menos atrativa a música secular se torna.”

Os fiéis estão acostumados a ouvir músicas de adoração sendo tocadas no púlpito. Mas, hoje em dia, canções cristãs contemporâneas estão conquistando um palco ainda maior: as redes sociais.

Graças ao crescimento nas plataformas digitais, artistas como Forrest Frank e Brandon Lake recentemente alcançaram posições no Billboard 100, ocupando espaços que a música pop cristã raramente atinge.

Outra artista cristã de destaque, Lauren Daigle, chegou até a se apresentar no Super Bowl no início deste ano.

Esses artistas têm avançado em uma indústria musical aparentemente dominada pelo secular. E a tendência entre muitos jovens músicos cristãos não dá sinais de desacelerar.

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Lauren Daigle performs “You Say” at the Billboard Music Awards on Wednesday, May 1, 2019, at the MGM Grand Garden Arena in Las Vegas. (Photo by Chris Pizzello/Invision/AP)

Até mesmo a fé predominante em Utah, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, está aderindo ao movimento do pop cristão, produzindo músicas mais contemporâneas para sua juventude.

Nos últimos meses, a igreja realizou concertos em Provo (na Universidade Brigham Young), em São Paulo, no Brasil, na Cidade do México e em Davao City, nas Filipinas.

Essa tendência já começou a impactar a indústria musical como um todo.

Em 2024, a Luminate informou que a música Cristã/Evangélica foi o quarto gênero que mais cresceu — e as novas gerações podem estar diretamente ligadas a essa popularidade crescente.

A estudante da BYU, Grace Dyer, por exemplo, conheceu a música cristã contemporânea por acaso. Ela contou que, ao mudar-se para Utah, estava procurando estações de rádio e encontrou a K-LOVE 107.5 FM, um canal cristão bastante conhecido.

Dyer disse que passou a preferir essa música em comparação com muitas outras estações e então percebeu que a maioria das canções falava sobre Jesus.

“É geralmente positiva e inspiradora”, afirmou Dyer. “Muitas vezes as pessoas só querem ouvir algo que eleve em meio a este mundo caótico. Quando você se conecta à mídia, não quer que ela te coloque para baixo.”

As redes sociais estão se tornando o novo púlpito para a música cristã.

Ignorando as gravadoras

Um público em expansão também pode significar mais oportunidades para artistas cristãos.

A musicista Jenn Blosil, natural de Orem, contou que sempre teve dificuldades em encontrar seu espaço na indústria e espera que a crescente popularidade das canções cristãs contemporâneas possa impulsionar sua carreira.

Blosil, que já trabalhou com várias gravadoras, disse que, embora seu repertório inclua diferentes estilos e temas, parte de suas músicas traz referências à sua fé cristã de longa data. Segundo ela, sua gravadora enfrentava dificuldades em promovê-la porque suas canções não se encaixavam em uma categoria específica.

“Como mulher, a primeira coisa que importa para eles é se você pode ou não ser vendida como um símbolo sexual e se podem te comercializar dessa forma”, afirmou Blosil. “Se não podem, então era como: ‘Ah, não sabemos o que fazer com a Jenn… Jenn é cristã, mas não canta (apenas) música cristã. Ela faz músicas que não se encaixam direito em lugar nenhum.’”

Ela contou sobre uma canção que escreveu sobre a beleza, na qual dizia que sua identidade não estava ligada ao cabelo ou às roupas, mas que era bela simplesmente porque Deus a havia criado.

Sua gravadora, no entanto, reclamou dizendo que a música não era “ousada” o suficiente.

“Para essa canção em específico, o centro era Deus”, explicou Blosil. “Quando tento reescrevê-la para torná-la ‘mais aceitável’, acabo perdendo a essência de quem sou. Eu sou uma artista que, por acaso, é cristã.”

Graças às novas plataformas online, afirmou ela, os artistas cristãos agora podem compartilhar sua fé e sua música sem depender da mediação de uma gravadora.

“A música de adoração está em alta no momento”

Julie Huang, membro da Igreja Presbiteriana de American Fork, disse que a música popular que costumava ouvir deixou de ser atraente para ela.

“Quanto mais me aproximo de Deus, menos atrativa a música mainstream se torna”, afirmou Huang, “mesmo que as batidas sejam boas.”

Segundo ela, grande parte da música atual parece ser mais explícita e traz conotações que não se alinham com seus valores cristãos.

“Talvez seja por isso que a música de adoração esteja em alta agora”, disse Huang. “Existem batidas muito legais e modernas que se aproximam bastante de outros estilos que estão sendo lançados.”

Outro membro da igreja, Ken Knight, concordou. Ele contou que ouvir música cristã nos últimos oito meses elevou seu ânimo e melhorou sua autoestima.

“Não mudei de estação de rádio desde o Natal”, disse Knight.

E os números mostram que ele está longe de ser o único.

Fonte: The Salt Lake Tribune.