As 6 imagens mais antigas de Jesus
Desde o pouco conhecido grafite de Alexâmenos do primeiro século, até o famoso Pantocrator egípcio do sexto século.
Grande parte do que sabemos sobre a aparência de Jesus é resultado de convenções artísticas. Como as Escrituras não descrevem como Cristo se apresentava, pintores e criadores de mosaicos frequentemente recorriam aos cânones artísticos de sua época para formar uma imagem visual do Nazareno. Isso significa que algumas das representações mais antigas de Jesus oferecem uma valiosa visão da diversidade iconográfica dos lugares e das pessoas que compunham o cristianismo primitivo. A seguir, uma lista das seis representações mais antigas de Jesus conhecidas pelos historiadores:
1. Grafite de Alexâmenos, século I
Esse “grafite,” que mostra uma pessoa olhando para um homem com cabeça de burro sendo crucificado, foi esculpido em gesso numa parede em Roma, no século I. Se você se sente confuso ou ofendido pelo seu conteúdo, é porque ele não foi criado para celebrar Jesus, mas sim para zombar dele. Naquela época, o cristianismo não era uma religião oficial, e a maioria dos romanos via seus seguidores com desconfiança e ceticismo. Esse grafite provavelmente tinha a intenção de ridicularizar “Alexandros,” um cristão, sugerindo que ele adorava um “Deus com cabeça de burro.” A inscrição que acompanha a imagem diz exatamente: “Alexandro adorando seu deus.” E o fato de o “Deus de Alexandro” estar sendo crucificado piora ainda mais a situação, já que, no século I, a crucificação era um castigo reservado para criminosos graves.

2. O Bom Pastor, século III
Embora os Evangelhos não nos forneçam uma descrição física de Jesus, eles trazem várias descrições figurativas para representá-lo. Talvez a mais marcante seja a metáfora do “Bom Pastor.” No Evangelho de João (10:11 e 10:14), Jesus diz: “Eu sou o bom pastor… o bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” Não é, portanto, surpreendente que muitos artistas cristãos primitivos tenham escolhido a imagem do pastor para retratar Cristo. Eles fizeram isso principalmente incorporando motivos já existentes de pastores, típicos da arte grega e romana. Essa imagem, pintada nas paredes da catacumba de São Calisto em Roma, mostra Jesus carregando um bezerro no ombro, seguindo a figura icônica do “moscóforo,” que significa literalmente “aquele que carrega o bezerro,” cuja primeira representação na arte grega antiga data de 570 a.C.

3. Adoração dos Magos, século III
Outra representação de Cristo apresentada no Novo Testamento é a adoração dos Magos, descrita em Mateus 2:1-12. Por isso, a “epifania” foi uma das imagens mais populares da vida de Cristo nos primeiros tempos do cristianismo. Essa imagem dos Magos adorando o Menino foi criada para decorar um sarcófago do século III, que hoje está preservado no Museu do Vaticano, em Roma.

4. A cura do paralítico, século III
Um dos milagres de Jesus narrados nos Evangelhos — Mateus (9:1–8), Marcos (2:1–12) e Lucas (5:17–26) — mostra Jesus curando um paralítico em Cafarnaum, na região que hoje corresponde a Israel. Desde então, essa cena tornou-se uma imagem recorrente na iconografia cristã. Essa representação da cura do paralítico, datada do século III, foi encontrada no batistério de uma igreja há muito abandonada na Síria. É uma das representações mais antigas de Cristo conhecidas pelos historiadores.

5. Cristo entre Pedro e Paulo, século IV
Essa imagem de Cristo, datada do século IV, mostra-o entre São Pedro e São Paulo. Foi pintada na catacumba de São Marcelino e São Pedro, localizada na Via Labicana, em Roma, próxima a uma villa que pertencia ao imperador Constantino. Abaixo das figuras principais — Jesus, Pedro e Paulo — estão retratados Gorgônio, Pedro, Marcelino e Tibúrtio, quatro mártires sepultados nessa catacumba, representados apontando para o Cordeiro de Deus em seu altar celestial.

6. Cristo Pantocrátor, século VI
A palavra grega Pantocrátor significa literalmente “aquele que tem autoridade sobre tudo.” É assim que duas expressões hebraicas usadas no Antigo Testamento para descrever Deus, o “Deus dos Exércitos” (Sabaot) e o “Todo-Poderoso” (El Shaddai), foram traduzidas para o grego. Para representar essas qualidades poderosas, os iconógrafos bizantinos usaram elementos como a mão direita aberta, que transmite uma sensação de poder e autoridade.
Essa imagem é o exemplo mais antigo conhecido de “Cristo Pantocrátor” no mundo. As diferentes expressões no lado direito e esquerdo do rosto de Jesus podem indicar sua dupla natureza, tanto humana quanto divina. A pintura foi feita em uma tábua de madeira no século VI ou VII e está atualmente preservada no Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai, Egito, um dos mosteiros mais antigos do mundo.

Fonte: Aleteia.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.

