“Cristãos estão sendo perseguidos”: líderes do Congresso dos EUA pedem que Trump proteja os cristãos na Nigéria.
Em meio ao aumento das denúncias de violência contra cristãos na Nigéria, o congressista norte-americano Riley Moore, representante republicano do estado da Virgínia Ocidental, pediu uma ação diplomática urgente em resposta aos relatos de agressões contra cristãos no país. Em uma publicação no X (antigo Twitter), acompanhada de um trecho de sua entrevista à Fox Business, ele afirmou que há uma perseguição contínua e defendeu que a Nigéria volte a ser classificada como um “País de Especial Preocupação” (CPC), a fim de lidar com o que descreveu como assassinatos e ataques a igrejas.
Publicação de Riley Moore no X e entrevista à Fox Business
Em 20 de outubro de 2025, o congressista Moore publicou no X: “Cristãos estão sendo perseguidos e mortos na Nigéria por professarem sua fé em nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Esses assassinatos precisam parar. Por isso, estou pedindo ao @SecRubio que designe a Nigéria como um País de Especial Preocupação. Devemos usar todos os instrumentos diplomáticos possíveis para pôr fim a esse terrível massacre de nossos irmãos e irmãs em Cristo.”
A postagem foi acompanhada de um vídeo da participação de Moore no programa da Fox Business apresentado por Stuart Varney, no qual ele detalhou os pontos mencionados. Durante a entrevista, Moore descreveu a Nigéria como o lugar mais mortal do mundo para cristãos, citando milhares de mortes e centenas de pessoas sequestradas, torturadas ou deslocadas por grupos extremistas como o Boko Haram e sua facção dissidente, o ISWAP. Ele enfatizou que restabelecer a designação da Nigéria como um País de Especial Preocupação daria aos Estados Unidos as ferramentas diplomáticas necessárias para pressionar o governo nigeriano a tomar medidas firmes contra esses ataques.
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Carta de Riley Moore ao Secretário Rubio e o argumento para a designação de País de Especial Preocupação (CPC)
Em 5 de outubro de 2025, o congressista Riley Moore enviou uma carta formal ao Secretário Rubio solicitando que a Nigéria fosse novamente designada como um País de Especial Preocupação (CPC) sob a Lei Internacional de Liberdade Religiosa. De acordo com o comunicado de imprensa divulgado em 6 de outubro, o pedido baseia-se na “alarmante e contínua perseguição de cristãos em todo o país”.
Na carta, Moore destacou que mais de 7.000 cristãos foram mortos na Nigéria apenas em 2025, o que representa uma média de 35 mortes por dia. Ele ressaltou ainda que centenas foram sequestrados, torturados ou deslocados por grupos extremistas como o Boko Haram e sua facção dissidente, o ISWAP. Citando relatórios da organização Open Doors, Moore observou que mais cristãos são mortos na Nigéria a cada ano do que no restante do mundo todo combinado, e afirmou que 19.100 igrejas cristãs foram atacadas ou destruídas desde 2009.
O congressista também chamou atenção para a política anterior dos Estados Unidos: a Nigéria havia sido classificada como CPC durante o governo Trump, mas essa designação foi retirada na administração Biden. Moore pediu que o governo Trump restabeleça essa classificação e suspenda todas as vendas de armas e o apoio técnico dos EUA à Nigéria até que medidas eficazes sejam tomadas para proteger a população perseguida.
Em sua declaração, Moore afirmou: “A Nigéria se tornou o lugar mais perigoso do mundo para ser cristão. Só neste ano, um padre foi sequestrado e assassinado na Quarta-feira de Cinzas, e 54 cristãos foram martirizados no Domingo de Ramos. Sete mil cristãos foram mortos apenas em 2025, e mais de 50 mil desde 2009. Os Estados Unidos não podem permanecer de braços cruzados enquanto os crentes são massacrados. Precisamos reconhecer o caráter religioso dessa onda de violência anticristã perpetrada por terroristas islâmicos radicais. É hora de os Estados Unidos defenderem nossos irmãos e irmãs em Cristo, e designar a Nigéria como um País de Especial Preocupação fornecerá as ferramentas diplomáticas para fazer exatamente isso. Peço ao Secretário Rubio que faça essa designação sem demora.”
Vozes políticas dos EUA ecoam as mesmas preocupações
Entre as figuras políticas norte-americanas que têm soado o alarme sobre a situação, o senador Ted Cruz, membro do Partido Republicano e representante do estado do Texas, tem se destacado por denunciar a violência contra cristãos na Nigéria. Em uma recente publicação no X (antigo Twitter), Cruz afirmou que 50 mil cristãos foram mortos desde 2009, e que 2 mil escolas e 18 mil igrejas foram destruídas por grupos armados islamistas — embora ele não tenha citado suas fontes.
Em setembro, Cruz apresentou o que chamou de Lei de Responsabilidade pela Liberdade Religiosa na Nigéria de 2025, que, segundo ele, busca responsabilizar autoridades que “facilitam a violência jihadista islâmica e a imposição de leis de blasfêmia”. De acordo com o senador, os principais objetivos do projeto de lei são:
- Responsabilizar autoridades nigerianas que colaboram com a violência contra cristãos;
- Designar a Nigéria como um País de Especial Preocupação (CPC);
- Classificar o Boko Haram e sua facção dissidente — o afiliado do Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP) — como “entidades de especial preocupação”;
- Alvejar autoridades que aplicam leis islâmicas e de blasfêmia que contribuem para a perseguição religiosa.
Cruz destacou que os assassinatos são resultado de decisões tomadas por autoridades específicas em momentos específicos, refletindo falhas sistêmicas na proteção de civis. Vale lembrar que os Estados Unidos designaram o Boko Haram como uma “organização terrorista estrangeira” em 2013.
Outras figuras públicas também ampliaram essas preocupações. O apresentador da HBO, Bill Maher, em seu programa Real Time With Bill Maher, mencionou os ataques do Boko Haram, afirmando que mais de 100 mil cristãos foram mortos desde 2009 e 18 mil igrejas foram incendiadas — embora tenha reconhecido não ser cristão. Maher declarou:
“Eu não sou cristão, mas eles estão matando cristãos sistematicamente na Nigéria. Mataram mais de 100 mil desde 2009. Queimaram 18 mil igrejas. […] O Boko Haram está literalmente tentando exterminar a população cristã de todo um país.”
Contexto de segurança na Nigéria e resposta do governo
Reconhecendo a complexidade e os desafios de segurança contínuos, as autoridades nigerianas alertaram contra a interpretação da violência como direcionada a um único grupo religioso.
De acordo com a Al Jazeera, o Ministro da Informação da Nigéria, Mohammed Idris Malagi, emitiu um comunicado em resposta aos comentários de Bill Maher, descrevendo a análise recente dos EUA como “excessivamente simplista” e advertindo contra a narrativa de que a violência teria como alvo apenas os cristãos. Ele afirmou:
“Apresentar os desafios de segurança da Nigéria como uma campanha direcionada contra um único grupo religioso é uma grosseira deturpação da realidade. Embora a Nigéria, como muitos países, enfrente desafios de segurança, incluindo atos de terrorismo cometidos por criminosos, enquadrar a situação como um ataque deliberado e sistemático aos cristãos é impreciso e prejudicial. Isso simplifica demais um ambiente de segurança complexo e multifacetado e favorece os terroristas e criminosos que buscam dividir os nigerianos por linhas religiosas ou étnicas.”
Os principais fatores que contribuem para os desafios de segurança na Nigéria incluem a insurgência do Boko Haram no nordeste, além das atividades de gangues criminosas e da violência comunitária nos estados centrais e noroeste. Desde que o presidente Bola Tinubu assumiu o cargo em maio de 2023, mais de 3 milhões de pessoas foram deslocadas, e a Amnesty International relatou que quase 10 mil pessoas, incluindo crianças, foram mortas, particularmente nos estados de Benue e Plateau. A Associação Cristã da Nigéria também observou que algumas reportagens internacionais podem simplificar demais a situação, retratando a violência como exclusivamente anticristã, enquanto a realidade reflete um ambiente de segurança complexo e multifacetado.
Impacto humano e atenção internacional
O impacto humano da crise de segurança na Nigéria é severo. Ataques em regiões como Yelwata, no estado de Benue, forçaram famílias a fugir após massacres perpetrados por homens armados, enquanto extremistas destroem rotineiramente infraestrutura, incluindo escolas, clínicas, estoques de grãos, locais de culto e poços, agravando as condições humanitárias.
Analistas apontam que os bandos criminosos estão cada vez mais cooperando com grupos armados ideológicos que buscam expandir seu território, tornando as crises mais dinâmicas e sobrepostas. O aparato de segurança nigeriano, segundo relatos, encontra-se sobrecarregado e enfrenta dificuldades para reunir informações suficientes para compreender a extensão dessas colaborações e reagir de forma eficaz.
Legisladores dos EUA argumentam que a designação da Nigéria como um País de Especial Preocupação (CPC) poderia fornecer ferramentas diplomáticas para incentivar a responsabilização e a proteção das comunidades afetadas, levantando questões mais amplas sobre o papel da política externa norte-americana na defesa dos direitos humanos e da liberdade religiosa.
Fonte: Times of India.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.

