Nicki Minaj apoia a polêmica alegação de Trump de que cristãos estão sendo perseguidos na Nigéria.

Nicki Minaj apoia a polêmica alegação de Trump de que cristãos estão sendo perseguidos na Nigéria.

A premiada rapper Nicki Minaj manifestou publicamente apoio às alegações do presidente Donald Trump de que cristãos estão sendo perseguidos na Nigéria.
“Na Nigéria, cristãos estão sendo alvo”, declarou Minaj na terça-feira, durante um evento organizado pelos EUA, acrescentando: “Igrejas foram incendiadas, famílias foram destruídas… simplesmente por causa da forma como oram.”

Especialistas afirmam que jihadistas e outros grupos armados têm conduzido campanhas de violência que afetam todas as comunidades do país da África Ocidental, independentemente de sua origem ou fé.

Somente nesta semana, duas pessoas foram mortas em um ataque a uma igreja, enquanto um grupo de 25 meninas — que, segundo a BBC, seriam muçulmanas — foi sequestrado de uma escola.

Duas das meninas conseguiram escapar posteriormente de seus sequestradores. Um professor e um segurança — ambos muçulmanos — também foram mortos no ataque à escola secundária no estado de Kebbi, no noroeste do país.

No início deste mês, Trump afirmou que enviaria tropas para a Nigéria “atirando para todos os lados” caso o governo do país “continue permitindo a morte de cristãos”.

Minaj, cujo nome real é Onika Tanya Maraj-Petty, afirmou em um evento organizado pela embaixada dos EUA na ONU, em Nova York, que pedir proteção para os cristãos na Nigéria “não é sobre tomar partido ou dividir pessoas… mas sobre unir a humanidade”.
“Trata-se de enfrentar a injustiça. É sobre aquilo em que sempre acreditei”, acrescentou.

A rapper de 42 anos, que já falou publicamente sobre sua fé cristã, agradeceu a Trump por “priorizar esse assunto e por sua liderança”.

O governo nigeriano contestou essas alegações, chamando-as de “uma distorção grosseira da realidade”. Um representante afirmou que “os terroristas atacam todos que rejeitam sua ideologia assassina — muçulmanos, cristãos e até pessoas sem religião”.

Outros grupos que monitoram a violência política na Nigéria dizem que a maioria das vítimas dos grupos jihadistas são muçulmanas.

O país, com cerca de 220 milhões de habitantes, é quase igualmente dividido entre seguidores das duas religiões, com maioria muçulmana no norte, onde ocorrem a maior parte dos ataques.

Nesta quarta-feira, a polícia da Nigéria, no estado de Kwara, no sudoeste, confirmou um ataque fatal a uma igreja na cidade de Eruku, onde homens armados abriram fogo contra fiéis no dia anterior, matando duas pessoas e sequestrando várias outras.

A mídia local relata que homens armados, identificados por moradores como bandidos, invadiram a Igreja Apostólica de Cristo durante um programa na noite de terça-feira, atirando no pastor e rendendo os fiéis sob mira de armas.

Imagens e pequenos vídeos — que seriam das câmeras de segurança da igreja — circularam amplamente online, mostrando pessoas em pânico tentando se proteger, incluindo uma idosa que aparece tentando fugir desesperadamente dos homens armados.

Na terça-feira, o presidente Bola Tinubu confirmou que forças jihadistas haviam matado um oficial de alta patente do Exército, após capturá-lo em uma emboscada.

O grupo Estado Islâmico na Província da África Ocidental (Iswap) afirmou na segunda-feira que seus combatentes mataram o Brigadeiro-General Musa Uba no estado de Borno, no nordeste do país.

O Exército nigeriano havia negado anteriormente que o oficial tivesse sido sequestrado e morto.

Os ataques mais recentes provocaram frustração e indignação em todo o país, com muitos lamentando o que consideram uma onda interminável de violência que atinge comunidades rurais, igrejas, escolas e importantes rotas de transporte.

Em um comunicado divulgado na quarta-feira, o presidente Tinubu afirmou estar “totalmente ciente do recente aumento do extremismo violento” no país, acrescentando que esse avanço o deixou “desanimado”.
Ele instruiu as agências de segurança a responderem com “urgência, clareza e ação decisiva” aos que descreveu como ataques de “terroristas sem coração”.

Minaj descreveu a Nigéria como “uma nação linda, com profundas tradições de fé”, e ainda mencionou as “belas Barbz” — suas fãs — no país da África Ocidental.

O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, agradeceu à rapper por “usar sua enorme influência para dar visibilidade às atrocidades contra cristãos na Nigéria”.

Há meses, ativistas e políticos de direita em Washington vêm alegando que militantes islamistas estão mirando cristãos de forma sistemática na Nigéria.

Analistas afirmam que muitos conflitos mortais também surgem por recursos essenciais, como terra e água, ou são alimentados por tensões interétnicas — e não necessariamente por religião.

No ano passado, Minaj revelou publicamente que, apesar de ter se mudado de Trinidad para Nova York ainda criança, ela ainda não possui cidadania norte-americana.
Sua participação na ONU na terça-feira foi sua intervenção política de maior destaque até agora.

Ela já havia ganhado manchetes durante a pandemia ao divulgar desinformação sobre supostos efeitos colaterais da vacina contra a Covid — afirmando que o amigo de seu primo teria tido inchaço nos testículos e se tornado impotente após ser vacinado.
“Ele estava a semanas de se casar, e aí a noiva cancelou o casamento”, escreveu Minaj na época.

As declarações foram criticadas pelo então diretor médico do Reino Unido, e o então primeiro-ministro Boris Johnson também comentou o caso, brincando: “Não conheço as obras de Nicki Minaj tão bem quanto provavelmente deveria.”

Nos últimos meses, sua longa rivalidade com a rapper Cardi B, também de Nova York, voltou a crescer, com as duas trocando insultos sobre suas carreiras e familiares.

Fonte: BBC.