Papa homenageia os mártires do século XXI: cristãos mortos por militantes islâmicos, máfias e fazendeiros da Amazônia

Papa homenageia os mártires do século XXI: cristãos mortos por militantes islâmicos, máfias e fazendeiros da Amazônia

O Papa Leão XIV presta homenagem a centenas de mártires cristãos do século XXI mortos em várias partes do mundo, destacando o aumento da perseguição por militantes, grupos criminosos e outros, e exortando à lembrança de seu sacrifício.


ROMA (AP) — No domingo, o Papa Leão XIV homenageou centenas de cristãos que foram mortos por sua fé no século XXI, elogiando sua coragem e lamentando que o número de vítimas continue crescendo em muitas regiões do mundo.

O Vaticano tem registrado esses mártires cristãos não como parte do processo de canonização, mas apenas para preservar e recordar suas histórias. Entre eles estão cristãos assassinados por militantes islâmicos, grupos mafiosos ou fazendeiros amazônicos revoltados com sua defesa da floresta e dos pobres.

Leão presidiu uma oração vespertina do Ano Santo em memória deles, convidando patriarcas ortodoxos e ministros de mais de 30 denominações cristãs. Foi parte do esforço contínuo do Vaticano para destacar o que chama de “ecumenismo de sangue”, que une cristãos perseguidos e mortos por sua fé, independentemente de sua tradição religiosa.

“Muitos irmãos e irmãs, ainda hoje, carregam a mesma cruz de nosso Senhor por causa de seu testemunho de fé em contextos difíceis e hostis”, afirmou Leão. “Assim como Ele, são perseguidos, condenados e mortos.”

A celebração, realizada na basílica de São Paulo Fora dos Muros, aconteceu 25 anos após São João Paulo II ter presidido, no Jubileu de 2000, uma homenagem aos novos mártires no Coliseu.

Leão citou alguns exemplos de martírio ocorridos desde então, entre eles o de Irmã Dorothy Stang, freira americana que passou três décadas lutando pela preservação da floresta amazônica e pela defesa dos direitos dos colonos pobres diante de fazendeiros poderosos que buscavam tomar suas terras. Ela foi assassinada em 2005, em um atentado encomendado por fazendeiros.

“Quando aqueles que estavam prestes a matá-la lhe pediram uma arma, ela mostrou sua Bíblia e respondeu: ‘Esta é a minha única arma’”, recordou Leão.

O Papa lamentou que, apesar do fim das “grandes ditaduras do século XX”, quando cristãos foram perseguidos em várias partes da Europa, ainda hoje continuam sendo mortos — e, em alguns lugares, em números até maiores do que antes.

Uma comissão de estudo do Vaticano criada em 2023 já documentou mais de 1.500 casos de mártires desde o ano 2000, incluindo os 21 trabalhadores coptas ortodoxos decapitados por militantes islâmicos na Líbia em 2015. A comissão também registrou relatos de cristãos mortos por organizações criminosas ou simplesmente porque sua presença e defesa dos princípios cristãos eram consideradas incômodas, afirmou Andrea Riccardi, vice-presidente da comissão.

Em uma coletiva realizada na semana passada, Riccardi afirmou que a lista completa de nomes não seria divulgada por enquanto, devido a preocupações com a segurança em algumas regiões do mundo. No entanto, apresentou a divisão dos mártires que a comissão acrescentou ao registro:

— 643 na África Subsaariana, a maioria mortos em ataques de militantes islâmicos.

— 357 na Ásia e Oceania, incluindo as vítimas dos atentados suicidas de Páscoa de 2019 contra três igrejas em Colombo, no Sri Lanka.

— 304 nas Américas, entre eles missionários e ativistas assassinados por defenderem a Amazônia.

— 277 no Oriente Médio e Norte da África, muitos deles cristãos de outras denominações não católicas.

— 43 na Europa, mas Riccardi observou que, entre os mortos em outras regiões, havia 110 europeus, em sua maioria padres e freiras missionários.

Embora a comissão de estudos faça parte do departamento do Vaticano responsável pela canonização, Riccardi ressaltou que seu trabalho é totalmente separado do processo de beatificação e canonização, que também considera os mártires como possíveis candidatos à santidade.

Fonte: Southeast Missourian.