Por que alguns veem um inimigo bíblico antigo no Irã
Rabis opinam sobre por que a antiga história de Amaleque está sendo invocada em resposta ao Irã.
Na tradição judaica, nenhum inimigo é mais ameaçador — ou carrega mais peso teológico — do que Amaleque.
Descritos na Bíblia como a primeira nação a atacar os israelitas após o Êxodo, os amalequitas passaram a simbolizar um mal recorrente: não apenas um que busca ferir o povo judeu, mas um que deseja sua completa eliminação. Ao longo dos séculos, pensadores judeus associaram esse arquétipo a ameaças reais — de Hamã a Hitler. E agora, alguns se perguntam: o Irã deve ser incluído nessa lista?
Quem foram os amalequitas?
No livro do Êxodo, logo após os israelitas escaparem do Egito e atravessarem o Mar Vermelho, eles são atacados de surpresa por Amaleque — que atinge os retardatários e os mais fracos. “Deus diz que essa batalha com Amaleque será uma luta l’dor v’dor — de geração em geração”, afirmou o rabino Daniel Cohen, meu irmão, que lidera uma congregação ortodoxa em Stamford, Connecticut.
Essa perspectiva de eternidade levou muitos a enxergar Amaleque não apenas como uma nação, mas como uma força persistente — uma ideologia destrutiva que ressurge em momentos decisivos.
O rabino Joseph Soloveitchik, principal teólogo ortodoxo moderno do século XX, ensinava que os judeus já não podem mais identificar os descendentes literais de Amaleque. Mas, segundo ele, o legado espiritual desse povo continua vivo.
“É possível que pessoas adotem a teologia de Amaleque”, disse Cohen. Nesse sentido, quando um regime assume uma agenda de aniquilação dos judeus, ele sugeriu que a comparação se torna justificável.

Então, o Irã é Amaleque?
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu já via o Irã como Amaleque desde 2009, quando a capacidade nuclear do país se tornava uma preocupação crescente. Desde então, o aiatolá Ali Khamenei, do Irã, continuou a clamar pela destruição de Israel, financiando e armando ataques terroristas por meio do Hezbollah e do Hamas — grupos que Netanyahu também descreveu como continuadores do legado de Amaleque após o massacre de 7 de outubro, que matou 1.200 pessoas no sul de Israel.
A ligação entre Amaleque e o Irã não é apenas ideológica — também é geográfica. A história de Purim se passa na antiga Pérsia, que corresponde ao atual Irã. A narrativa gira em torno de Hamã, um oficial da corte que planeja exterminar os judeus. A tradição rabínica identifica Hamã como um descendente de Amaleque.
E, ainda assim, o Livro de Ester se destaca pelo que omite: “O tema principal de Purim é que o nome de Deus não é mencionado, mas Sua mão está presente em toda a narrativa”, observou Cohen. “Muitas pessoas veem o mesmo no que está acontecendo hoje — com o sucesso das Forças de Defesa de Israel, do Mossad, e o resgate de reféns.”
O mandamento bíblico a respeito de Amaleque é inflexível: toda a nação — incluindo mulheres, crianças e animais — deve ser exterminada. No entanto, rabinos modernos têm sido cuidadosos em separar regimes de populações.
“Os iranianos não são maus,” disse Cohen, “mas aqueles que lideram o Irã são maus.”
O rabino David Wolpe, rabino emérito do Templo Sinai em Los Angeles, fez uma advertência semelhante. “Compreendo o impulso de fazer analogias,” disse ele. “Mas Amaleque era uma nação; o Irã é um regime. Acredito que o povo iraniano anseia por viver em paz.”
Fonte: Forward.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.

