Quem Criou Deus? Duas Respostas e uma Aplicação
Às vezes, mesmo depois de muitos anos como crentes, faltam respostas para perguntas simples. Isso é especialmente comum quando as perguntas vêm de crianças. Talvez não seja o seu caso, mas em algum lugar alguém está se perguntando qual é a resposta certa para explicar quem criou Deus; a natureza da Trindade; ou onde os dinossauros se encaixam.
Um dia, enquanto o culto dominical estava chegando ao fim, duas crianças se aproximaram de mim. Disseram que tinham uma pergunta, e eu disse que ficaria feliz em ouvir. Então perguntaram: “Deus nos criou, não foi?” Sim, respondi. Depois: “Deus criou todas as coisas, não foi?” Sim, eu disse novamente. Por fim, chegaram a esta pergunta: “Então, quem criou Deus?” Essa pergunta provavelmente já foi feita em muitos lugares, desde aulas de teologia até a escola dominical. Mas me pegou de surpresa.
Talvez sem toda a clareza que o tempo proporciona, consegui dar uma resposta, que reproduzo abaixo. Seja você um professor de teologia ou um líder juvenil, espero que seja útil.
1. Ninguém Criou Deus
Em Gênesis 1:1 lemos: “No princípio, Deus criou.” Portanto, tudo tem uma origem, um começo. Essa origem ou fonte é Deus. Ele estava presente no início de todas as coisas. Mas Ele mesmo não foi criado por outro ser. Considere as palavras de Paulo em Colossenses 1:17: “Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste.” Tudo o que podemos ver — e tudo o que não podemos — vem de Deus. Ele sempre existiu e existirá para sempre.
O que isso significa para nós?
Pois em Colossenses 1:16, Paulo diz: “todas as coisas foram criadas por meio dele e para ele.” Ao refletirmos sobre a última parte desse versículo — que tudo foi feito para Deus — entendemos que a razão fundamental da nossa existência é o próprio Deus. Assim, enquanto tentamos compreender a eternidade de Deus, percebemos o motivo da nossa existência. Como Criador e Redentor, Deus merece toda honra e glória (Apocalipse 4:11).
2. Conheceremos (a Ele) Mais na Glória
Dando continuidade à minha primeira resposta, Jesus oferece outra: “A vida eterna consiste em conhecer a Deus e a Jesus, a quem Ele enviou” (João 17:3). De forma um pouco surpreendente, essa vida começa agora. Mas certamente não termina aqui. Portanto, o único lugar onde teremos uma compreensão plena de Deus é na glória. A vida eterna é muito mais do que viver para sempre; é estar com Deus e conhecê-lo para sempre.
Mais uma vez, o que isso significa?
Jamais entenderemos Deus completamente aqui, na terra. E, na verdade, sendo finitos, também não o compreenderemos totalmente na glória. As razões são simples:
- Deus é espírito (João 4:24)
- Seus pensamentos não são os nossos (Isaías 55:8)
- Somos finitos, com começo e fim, portanto nossas mentes são limitadas (Deuteronômio 29:29).
Como seres criados por Deus, jamais compreenderemos completamente a sua natureza. Ainda assim, Ele se revelou a nós. Podemos conhecê-lo agora, e Jesus prometeu que veremos o seu rosto no porvir (Mateus 5:8).
Fé Diante do Mistério
Vivemos aguardando esse fim, mas, enquanto isso, esses mistérios podem fortalecer nossa fé. Quando contemplamos a grandeza de Deus, as obras que Ele realizou, maravilhas incompreensíveis, só nos resta nos prostrar aos pés do Criador. Encontramos um motivo para confiar ainda mais nele; isso alimenta nosso desejo de estar com Ele para todo o sempre. Não devemos esquecer as palavras de Jesus: “Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de modo nenhum entrará nele” (Lucas 18:17).
De fato, precisamos “nascer de novo” para compreender os mistérios de Deus (João 3:3). Isso, é claro, está intimamente ligado à atuação do Espírito Santo. Mas também nos alerta para as realidades espirituais — muitas das quais permanecem um mistério para nós. Como diz o autor de Hebreus, podemos ter “a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11:1). Portanto, haverá muito que não entendemos ou não conseguimos entender. Por isso, vivemos pela fé.
Fonte: The Gospel Coalition.
Rafael Almeida é um buscador da espiritualidade e do autoconhecimento, dedicado há mais de uma década a estudar, praticar e viver experiências que promovem a expansão da consciência. Criador do blog Digital Pensar, compartilha reflexões, vivências e aprendizados que unem práticas ancestrais, desenvolvimento interior e a espiritualidade aplicada no dia a dia, sempre com o propósito de inspirar pessoas a se reconectarem com sua essência.

